O corpo que já não é mais leve – Tamires Branu.

Auuuuuu, auuuuu!

Uivos de anunciação, leitores! Como anda o fim de ano? Corrido, no mínimo, imagino. Desde o último post tenho visto que muitos de nós tem sofrido com o tempo e a falta dele (prece para o ano acabar e as coisas se resolverem, por favor!), então além de sorte, também cultivo energias positivas para todos nós. E para tirar a poeira do Uiva que Passa, trago-lhes um texto repleto de melancolia, resquícios de um passado muito muito distante e que foi escrito a luz do término da série de TV Dance Academy.

tumblr_static_tumblr_static_1vegl66972lck8w04wgsws0k8_640

*imagem retirada do google

“Meus pés subiam e desciam no ar, mas jamais permaneciam tempo suficiente no chão. Olhei para o espelho da academia. Vi o reflexo do olhar de mamãe, tinha certa expectiva que me arrancava o desequilíbrio. Levantei o braço em uma meia lua, saudando o vazio ao meu lado, dando continuidade aos passos. Como desprezava aquele maldito olhar. Degradava-me a algo e me arrancava a identidade de alguém. Eu não era mais que um objeto de seu estimo e zelo, feito para agradar e para fazer o que lhe foi designado no momento de criação.

O sorriso prendeu minha atenção, fazendo-me esquecer de como colocar o pé de volta ao chão. Vi o brilho se apagar no rosto de mamãe, enquanto minha sapatilha tombava contra o piso. Suspirei. Vieram as reclamações. Olhei ao meu redor. O restante seguia os movimentos de sequência. Torci o pé e aprumei a sapatilha, fingindo verificar se estava tudo bem, mas a verdade era que eu procurava suprimir as palavras de encorajamento de mamãe.

Dançar costumava ser como levitar no ar, sentir o movimento perante os olhos concentrados, a pressão se esvaindo da carne, a casca se despedaçando e o espírito tão livre quanto a beleza de um simples momento fugaz. Agora não passava de amarras. Que irônico. Tornei-me uma prisioneira de meu próprio sonho. Soltei um leve e mudo riso, desejando que ninguém percebesse minhas feições distantes. Sonho. Que palavra engraçada. Temo que nunca fora um sonho, mas, talvez, um refúgio. Descoberto. Alcançado. E vazio de reservas de defesa.

Diziam-me constantemente: “Você precisa se empenhar, correr atrás”, como se tais palavras servissem para me manter firme. Jogavam-me outras descabidas: “Não é o suficiente. Mais. Mais. Precisamos de mais.” e justificavam tais apunhaladas como necessárias para meu aprendizado. E acrescentavam: “Você vai me agradecer um dia”.

Lancei meu corpo numa pirueta tripla. Ouvi ecos de um pedido: “Mais uma vez”. Meu racional se lançou em outra tentativa enquanto meu inconsciente apenas se inundava no desejo de parar. A rigidez de minha perna levou-me ao início antes que mamãe completasse o pedido novamente. Sem sucesso. Minha perna continuou pesada. Outra vez. A lateral de meu corpo voltou a se inclinar perigosamente do chão. Repeti o movimento. E de novo, de novo, de novo…. Até que me deixei embarcar na queda e o atrito me fez quicar braços e pernas antes da cabeça tombar e a visão embaçar.

Eu estava no chão e não havia uma pessoa para me ajudar a levantar. Ora, o erro havia sido meu. E, talvez, fosse melhor daquela maneira. Permaneci, a dor retumbando por todo o meu corpo. Mamãe veio até mim em passos pesados, as reclamações pulavam de sua boca como facas afiadas. Deu-me a mão. A expressão de reprovação me embrulhou o estômago. Ignorei-a. Ela reafirmou o gesto com a mão em uma espécie de obrigação. Permaneci, deixando que meus olhos me mostrassem toda a dureza da verdade.

E foi entre gritos e sacolejos que me dei conta do quanto era descartável. Não para mim, mas para eles. Se eu não os seguisse, não tinha mais utilidade. Era uma peça com defeito que não podia ser consertada. E eu jamais tivera a certeza tão firme de que estavam enganados.

Eu não era uma peça, tampouco descartável. E, sem dúvidas, não era absolutamente nada para ninguém enquanto não fosse para mim mesma. Arranquei os braços de mamãe do meu corpo e a empurrei, certificando-me de não machucá-la, pois, naquele momento, percebi o quão contrária eu era à ela. Levantei-me e não foi para continuar com a sequência de dança. Pelo menos, não com a que haviam imposto.

Naquele dia, não deixei apenas mamãe para trás. Não. Deixei uma versão de mim que me aterrorizara durante anos. A versão que se submetia a desejos de outrem e que existia exclusivamente para agradar a qualquer pessoa que não fosse eu. E foi naquele dia, pela primeira vez, que me permiti descobrir quem era o tal “eu”.” por Tamires Branu.

Espero que o texto não tenha se prolongado demais. Quer dizer, um pouco. Admito. É que tem alguns dias que não escrevo absolutamente nada e daí as palavras fluíram e tive que chamar a minha amiga tesoura. Também espero que tenham gostado, apreciado, identificado e que comentem com dicas e opiniões. Sempre digo aqui e volto a dizer: sou aberta a críticas. Um ótimo fim de quarta e respira que depois de amanhã é sexta (som de festa!).

Beijos, beijos a loba da vez.

A importância do culpado.

Auuuuuuuu, auuuuuuuuuuu….!

Olá, lobos e lobas. Como estão? Espera, deixa eu contar: toda vida que uivo me lembro da Hermione em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, maluco, não é? Apesar de meu uivo não ter nenhuma relação com a saga, que amo, diga-se de passagem, e sim com o desabafo e com a admiração por esses animais magníficos.

Vamos ao assunto que interessa? Ultimamente tenho estado super atrapalhada com o tempo e não tenho postado com tanta frequência, mas não esqueci do Uiva que passa ou do Desperta, Mulher e é por isso que estou vindo aqui rapidinho ter com vocês. Está passando da hora de soltar os uivos que ficaram presos durante este tempo. Vem comigo!

11950942_727910610674694_1406182916_nv

Tantos pensamentos voavam por minha mente. Incertezas, dúvidas e, sobretudo, vontades. E não há uma forma correta de organizá-los porque há muito se tornaram uma desalinhada bagunça. Um novelo repleto de nós sem uma ponta sequer.

Tanto que eu queria. Tanto que confabulava. Tanto que sonhava. É. Encontrei a palavra. Não diria certa, mas apropriada. Sim, eu sonhava. Não livremente ou estampado para o mundo inteiro. Ouso dizer quem nem mesmo para mim. Mas em algum lugar do meu eu confuso. Em algum lugar protegido. Cercado. Dentro de uma caixa, quem sabe. Existiam sonhos. Desses que nos fazem burlar a caótica realidade ao longo dos dias para nos fazer seguir, embora jamais tenhamos tido uma ideia clara do onde.

Tanto que eu achava. Julgava. Cultivava certezas. Agora, contudo, reduzidas a meros “se’ ou “serás”, vejo que não tinha razão. Não fazia ideia. Não sabia. É. Essa é a verdade. Eu não sabia. E estaria me enganando se pensar que agora sei. Agora, ao contrário dos livros e filmes, é só mais uma palavra. Não me revela nenhuma convicção ou antecede uma mudança, pelo contrário, só me dá a certeza de que eu nunca soube realmente de nada. De que era ilusão. Desconhecimento. E um punhado de dor, é claro.

E em meio a tantos pensamentos, um consegue ser recorrente. É cheio. Ele me diz. É lotado. E instantaneamente meu eu está completando a sentença. Não dá para suportar. Não há espaço suficiente. Não há coragem. Não há vontade. Nem amplitude. Só paredes. Diminuídas. Fechadas. Encurraladas.

Minha pele e todos os meus movimentos atuam em um frenesi. Constante. Impossível de ser contido. Eu quero mais. Grita meu tecido, veias, ligamentos, ossos e carne. Eu quero sair. Fugir. Desatar os nós e deixar que me eu escorra para fora dessa prisão inconcebível que me tornaram. Já não sou mais leveza. Nunca fui piano. Embora sempre lutasse para ser a mansidão das notas. Não. Agora sou copo cheio, panela apitando, guarda-roupa abrindo.

E eu não faço a menor ideia de como cheguei até aqui. Quero dizer, posso ter algumas hipóteses. No entanto, dói está dúvida incessante: foi eu ou foram eles? por Tamires Branu.

Beijos, beijos a loba da vez.

Uma chance de florescer – Tamires Branu

Auuuu, minha gente!

Que bom estar com vocês novamente, até mesmo eu sentir falta de postar, dá para acreditar? Fiquei enrolada com meu diário de alimentação e com minhas consultas na Nutri que estou indo essa semana. Mas vim rapidinho aqui para compartilhar um singelo texto que faz parte da vibe do Desperta, Mulher.

É de uma voz que não pode e nem deve ser calada e nos faz até mesmo refletir. Que tal deixar de lado toda e qualquer confusão do dia a dia para escutar a ti mesma e dar uma nova olhada ao teu redor?

tumblr_static_4wcykpslwnswc0oc4wck400cw

*imagem retirada do google

 

“O sol raiava e, diferentemente da preguiça, o que me preenchia era uma chatice maçante de revirar os olhos e derrubar o corpo. Sabe, quando você acorda um tanto enjoada e com a leve impressão de que o dia será insuportavelmente chato?

Tédio, era o que podia dizer de mim ao longo da manhã. Minha mãe falava pelos cotovelos, conversa chata, de gente negativa e obsessiva. Minha cabeça rodopiava e a vontade crescia enorme dentro de mim. Temo que um grito não seria suficiente, nem alguns palavrões, talvez misturando tudo com a quebradeira de algumas coisas. Poderia aliviar, mas não seria a solução. Admito que era muito tentador, mas não certo de se fazer.

Ah! Esse meu senso crítico chato que não me deixa fazer nada!

Minha irmã possuía sua habitual expressão de mau-humor que te deixa mais amarga. Para sua felicidade, não passaria o dia todo em casa. Pelo contrário, aprontava-se para sair. Cheiro de perfume, maquiagens espalhadas e roupas penduradas eram o seu cenário de partida.

Enquanto isso, eu continuava lá, enchendo os ouvidos de problemas, reclamações e tudo de péssimo que você deseja não escutar em dias chatos.

A raiva foi me intemperando, a revolta massacrando meu consciente e a chatice me engolindo. De repente, estava sem ar. Sem saco. E, sem vontade. Nossa, o dia estava acabado. O pior de tudo é que ainda era manhã e a danada se arrastava preguiçosamente.

Ah! O outro dia que jamais chegava!

Senti-me como se tivesse tomado um porre grande de vinho, cerveja e vodka. Sensação detestável. Cansei-me dela. Nossa, era tão chata que nem mesmo eu me aguentava.

Larguei as palavras da minha mãe, deixei os ecos virarem silêncio e parti para a sacada. O céu era de um azul singelo com nuvens espaçadas e convidativas. Olhei. Nada vi. Olhei pela segunda vez. Algo apontou no céu. História. Imaginação. Sei lá. Algo que me deu um sorriso e uma sensação leve. Leve, quanto algodão-doce desmanchando na boca. Inspirei profundamente, tentando desanuviar a mente. Foi difícil. Entretanto, depois de várias tentativas, consegui. Como uma raiz que germina devagar e quando menos se espera floresce de tanta beleza.

O dia até parecia outro, embora eu soubesse que era o mesmo. Sorri, com minha pequena vitória. Havia conseguido transformá-lo em bom, aceitável e repleto de vontade.

Deixei a sacada louca para sair de casa, passear, dar uma olhada nas pessoas, nas vitrines das lojas ou de, simplesmente, conversar. Bastante. Podia até mesmo ser dessas conversas de assuntos vazios, mas que te deixam com dor de barriga de tanto rir.

Ah! Lá fora estava um belo dia e, agora, posso dizer que aqui dentro também!” por Tamires Branu

Espero que tenham gostado! Não esqueçam de me contar o que acharam.

Beijos, beijos a loba da vez.

Série: Desperta, mulher – Tamires Branu

Auuuuuuu de gratidão, leitores! Ou deveria dizer: volteeei?!

Foi um final de semana complicado e se arrastou como as últimas horas no trabalho: nunca passam. Mas cá estou eu, já é segunda-feira e mal posso acreditar que estou grata por isso.

Decidi fazer uma série de post no Uiva que passa, todos relacionados a mulher e a forma que levamos nossa vida. Serão posts que trazem confidências, ensinamentos e descobertas, mas não serão postados um atrás do outro. Não. Ficarei alternando essa série, chamada de Desperta, mulher, com outros textos/cônicas/contos dos mais variados assuntos.

Mas o legal é que esses posts não servirão apenas para mulheres, já que muitos deles falam da vida em geral. Das dificuldades que enfrentamos, das percepções que cultivamos e de como podemos melhorar. O que acharam? Espero que tenham aprovado a ideia e que me ajudem indicando temas e assuntos difíceis ou não nos comentários.

Para inaugurar a série, Desperta, mulher, resolvi compartilhar com vocês um texto que fala do medo e da necessidade de mudarmos. É como um pontapé inicial para embarcarmos em discussões e descobertas através de uma atmosfera lúdica.

11325103_1585104331741062_255324832_nn

“Minha mente se retorcia e se escondia. Brincávamos de esconde-esconde. Contudo, já não era mais uma brincadeira. Não, era uma armadilha, da qual eu já não podia mais fugir. Precisava encará-la. Era chegada a hora.

A hora de decidir. A hora de mudar. A hora de mergulhar.

Ora, todos os meus sentidos se retraiam em medo. Era comum. Havia me dito a sábia dentro de mim.

O medo sempre fora um aliado necessário, mas perigoso. Ele transitava entre o bem e o mal. Havia me dito a sábia dentro de mim.

Uma linha tênue costumava separá-lo de tais caminhos. Quando essa linha se esvanecia, o medo se transformava em um habitante de dois mundos. Uma verdadeira faca de dois gumes, se é que me entende.

Normalmente, alertava meus sentidos, trazia sanidade a minha alma confusa e por vezes já havia me livrado de enrascadas. Agora, no entanto, ele me ata em amarras e imobiliza minha capacidade de seguir em frente, deixando-me atordoada e ligada em um constante estado de alerta.

Precisa se livrar dele para mergulhar. Havia me dito a sábia dentro de mim.

Contudo, eu, simplesmente, não conseguia. Não tinha habilidade, força ou coragem.

Não. Ledo engano. O que eu tinha mesmo era medo e não fazia a menor ideia de como me livrar dele. Maluquice, pensei comigo mesma. Era possível ter medo do próprio medo? Se era.

Afinal, quem eu era? Já não me reconhecia.

Para se reconhecer, você precisa se conhecer primeiro. Revelou-me a sábia dentro de mim.

Sem dúvidas, isso explicaria grande parte das minhas escolhas ou a falta delas. E não estou falando da roupa que compramos no shopping por achá-la ultra bonita e ao chegarmos em casa aposentamos a coitada sem mesmo dar a chance dela seguir o seu destino: vestir nosso corpo. Não.

Estava na hora de conhecer a mim mesma. Confessou-me a sábia dentro de mim.

E voltamos ao início. Era chegada a hora.

A hora de decidir. A hora de mudar. A hora de mergulhar.

Mas o medo já não é mais meu aliado e na incapacidade de me livrar dele, então, levá-lo-ia. Com a certeza de que não seria tão fácil e nada simples quanto minha decisão parecia.

Meus pés chegaram ao final da linha. E eu? Bem, eu mergulhei. Mergulhei ao encontro de mim mesma.” por Tamires Branu.  

É um texto de poucas palavras, mas que carrega muitas significações. Principalmente, a personificação da sábia. Nem todas sabemos, mas possuímos uma sábia dentro de nós mesmas que se mantém em silêncio na maioria das vezes por razões internas ou externas. Razões internas como pensamentos, escolhas e sentimentos. Razões externas como influências, falta de conhecimento/estudo e a sociedade moderna.

Acabamos de esquecer da existência dela e ficamos perdidas. Até que nos últimos momentos do segundo tempo ela acaba por aparecer seja como uma voz lá no fundo, seja como um conselho/opinião/palavras de sinceridade de outras pessoas que nos leva a entrar em contato com a tal da sábia: refletindo.

A sábia é como um sinal, aviso, puxão de orelha ou como qualquer coisa que te faça pensar e repensar no que está acontecendo. Ela é a ajuda, a dúvida, mas também a sabedoria. Mas como ela pode ser a dúvida e a sabedoria ao mesmo tempo? Por que através da dúvida conseguimos chegar até a sabedoria. E é por isso que devemos cultivar e nos lembrar da nossa sábia e deixá-la nos ajudar.

Enfim, esse foi o post de hoje e está aberto para discussões nos comentários. Conto com vocês e uma ótima semana a todos!

Beijos, beijos a loba da vez.

Reencontro – Tamires Branu

Uivos de desabafos, leitores. Como vão passando os dias? Espero que “muito bem, obrigado”.

Sabe, aquele ex-namorado que não conseguimos arrancar dos pensamentos, que vez ou outra passeia por nossas dúvidas e engana nossos desejos? Sabe, aquela expectativa de um novo reencontro? Quero dizer, aquela euforia/desalento/libertação de rever o ex após o término? Pois é, vim compartilhar com vocês um texto pequeno de alguma voz indecisa sobre esse momento. Uiva que passa, menina.

“Meus pensamentos congelaram. Ele estava ali, no pátio. Perdido. Encontrado.”

“Entre tantos momentos, lugares e pessoas, a vida trouxe-me de volta a este simples encontro. Tudo o que mais desejei e desprezei ao mesmo tempo. Vivi a sombra daquele acontecimento, esperando-o chegar. Ansiando, como se disso dependesse a continuidade da minha vida.

Você não tem a menor ideia do quanto imaginei em minha cabeça. Dias e noites se passavam e minha mente se agarrava aquela esperança débil inconscientemente. Não importava quando ou como, lá estava eu imaginando como seria, o que aconteceria, o que diria e tudo o que não diria. Teci diálogos, previ suas palavras, criei novas palavras e decorei passagens a fim de não esquecê-las. Nunca pareceu o bastante. Sempre havia mais a falar. Pude pensar numa infinidade de coisas a se dizer quando a hora chegasse, os diálogos pareciam-me não ter fim.

Cheguei até mesmo a fantasiar o dia, o lugar, a hora e como eu estaria vestida. Agora, no entanto, percebo que bobagem a minha.

Já não sabia se era certo ter desejado tanto aquele momento. Já não tinha certeza se aquele reencontro funcionaria como uma chance. Perguntei-me se seríamos capazes de esquecer todas as mágoas, se conseguiríamos medicar todas as feridas que ainda nem mesmo haviam começado a cicatrizar. Talvez fosse melhor ter deixado para lá, ter esquecido, ter deixado a vida levar.

Olho novamente em seu rosto. E cada traço me dá a certeza de meu próximo movimento. Ultrapassei você. Superei a distância que você dolorosamente exerceu em minha vida há algum tempo atrás.

Dou mais três passos adiante para ter certeza de minhas sensações. Suspiro, satisfeita. Já não era mais sua. Você, tampouco, era meu. E o engraçado era que parecia certo. Devidamente certo.” por Tamires Branu.

E você, caríssimo leitor, já passou por situação parecida? Identificou-se? Espero ansiosa pelos comentários. Só não se esqueça de que sempre há uma voz amiga que compartilha da sua situação e nela pode até encontrar conforto. Até a próxima!

Beijos, beijos a loba da vez.

Marcela – Tamires Branu

Auuuuuuuuu forte e vibrante, leitores! Domingo de leveza, após uma vivência deveras animadora por aqui. Espero que esteja sendo um dia igualmente leve para vocês. Caso contrário, livre-se dos grilhões e se permita levitar. Nunca é tarde para isso.

No Uiva que passa de hoje decide derramar um pouco das sensações que me inundaram durante a vivência e como resultado fluiu um singelo texto que decidi nomear de Marcela, que é o nome de uma flor, mas também pode figurar como nome de uma pessoa.

Marcela seria uma flor ou uma mulher? Ou os dois?

Marcela seria uma flor ou uma mulher? Ou os dois?

“Sob o luar seus olhos despencavam.

Tantas vezes seu eu sucumbira a necessidade de outros que, agora, estava não só esgotada e engolida, mas também amordaçada nas percepções de outros, perdida em diversas opiniões, cortada em variados tamanhos e formas, de acordo com o desejo de outros, e interrompida na verdade de todos.

Mãe Terra lhe afagou com carinho, convidando-a. E ela se permitiu. Tombou os joelhos na terra, incapaz de continuar com a árdua tarefa de sustentar o próprio corpo. Apertou as mãos numa mistura de relva e grãos, frustrada. Os gritos arranhavam a garganta, enquanto lascas eram revogadas do coração.

O cheiro de terra úmida inundou as narinas, quando o rosto, enfim, repousou no ceio da colheita. Entregue. Esgotado.

Os longos braços firmes da Mãe a guardavam como duas formidáveis pétalas, protegendo-a das atrocidades de fora. Uma vez acolhida, Mãe Terra não só compartilhou de suas emoções golpeadas, como também se compadeceu. Então, usou-a como semente. Cultivou-a com apreço e cuidado. Fez dela um de seus mais lindos trabalhos. E, alguns meses depois, Marcela era uma linda e perfumada flor na relva caótica.” por Tamires Branu.

Um texto curto sobre ferida, entrega e a força e energia revitalizadora da Mãe Terra. Espero que tenham gostado da partilha de hoje e conto com os feedbacks e comentários de vocês. Críticas são sempre bem-vindas.

Beijos, beijos a loba da vez.

O cinema – Tamires Branu

Auuuuuuuuuuu, lobas! Em virtude da comemoração desse sentimento sublime que é o amor por um amigo(a), deixo com vocês um recorte de um conto meu. Adaptei, recortei e registro aqui uma lição sobre amizade e o ser mulher no geral.

collage

“A casa se estendia em seus ecos esmorecidos. Os cômodos vazios de vida só me faziam querer correr para longe dali. Minha mãe berrava algo sobre o arroz estar fora da geladeira. Sinceramente, eu não me importava. Coloquem toda a culpa em mim. Meus ombros já carregavam uma grande carga de qualquer jeito.

O que posso dizer em minha defesa? Havia uma sede incomum em minha alma. Inusitada. De ares estranhos, pouco respirados.

Minha irmã chegava com seus passos tão pesados quanto seu humor. Respirei fundo. Afinal, a noite poderia ficar pior.

Já mergulhava por águas escuras, quando uma mão puxou-me de volta a sombra da expectativa. Fui ao cinema com meu namorado. Encontramos um outro casal e uma amiga desse.

Ficamos todos juntos e escolhemos uma sessão. A proximidade de nossos corpos não impediu que o silêncio se instalasse devagarinho, mas astuto em ameaçar aquela nova promessa de noite. Felizmente a amiga do casal decidiu iniciar um assunto. Alguns falavam duas ou três palavras, outros balançavam a cabeça, assertivos. Aos poucos, fui me sentindo segura para falar a vontade. E, rapidamente, fui transportada para aquele aconchegante lugar. Como é mesmo o nome? Descontração.

Dentro da sala do cinema, sentamos uma ao lado da outra. Conversamos bastante durante o filme. Rimos de nossas próprias confissões e, sem perceber, acabamos ajudando uma a outra. Uma informação e duas ou três tranquilidades compartilhadas.

O filme pode não ter sido um dos melhores, mas a noite superou minhas expectativas. Antes daquela dia, não sabíamos uma da existência da outra. Mas, quando abaixamos nossa guarda e nos permitimos a chance de nos conhecer, por um simples momento, conseguimos fundir nossas almas. Encontramos toda a compressão que não encontrávamos em casa, nos nossos parceiros e nas outras mulheres que eram levadas pelo espírito competitivo e pela vazão a que a sociedade rotulava a cada uma.

Bastou que nós duas nos libertássemos dos vícios, dos rótulos, dos medos e das falsas verdades em que os pilares da sociedade feminina estavam sendo construídos para entrar em contato com a verdadeira alvenaria. Nossa alma, nossos instintos, nossa essência e tudo mais o que nos fazem ser mulher. Era de união que nós precisávamos. E foi a união que nos salvou do sentimentos absurdos da rotina do dia a dia naquela noite.” por Tamires Branu.

Espero que tenham gostado e feliz dia do amigo!

Beijos, beijos a loba da vez.

<a href=”http://www.bloglovin.com/blog/14298779/?claim=ucnag3jb538″>Follow my blog with Bloglovin</a>