A importância do culpado.

Auuuuuuuu, auuuuuuuuuuu….!

Olá, lobos e lobas. Como estão? Espera, deixa eu contar: toda vida que uivo me lembro da Hermione em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, maluco, não é? Apesar de meu uivo não ter nenhuma relação com a saga, que amo, diga-se de passagem, e sim com o desabafo e com a admiração por esses animais magníficos.

Vamos ao assunto que interessa? Ultimamente tenho estado super atrapalhada com o tempo e não tenho postado com tanta frequência, mas não esqueci do Uiva que passa ou do Desperta, Mulher e é por isso que estou vindo aqui rapidinho ter com vocês. Está passando da hora de soltar os uivos que ficaram presos durante este tempo. Vem comigo!

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Tantos pensamentos voavam por minha mente. Incertezas, dúvidas e, sobretudo, vontades. E não há uma forma correta de organizá-los porque há muito se tornaram uma desalinhada bagunça. Um novelo repleto de nós sem uma ponta sequer.

Tanto que eu queria. Tanto que confabulava. Tanto que sonhava. É. Encontrei a palavra. Não diria certa, mas apropriada. Sim, eu sonhava. Não livremente ou estampado para o mundo inteiro. Ouso dizer quem nem mesmo para mim. Mas em algum lugar do meu eu confuso. Em algum lugar protegido. Cercado. Dentro de uma caixa, quem sabe. Existiam sonhos. Desses que nos fazem burlar a caótica realidade ao longo dos dias para nos fazer seguir, embora jamais tenhamos tido uma ideia clara do onde.

Tanto que eu achava. Julgava. Cultivava certezas. Agora, contudo, reduzidas a meros “se’ ou “serás”, vejo que não tinha razão. Não fazia ideia. Não sabia. É. Essa é a verdade. Eu não sabia. E estaria me enganando se pensar que agora sei. Agora, ao contrário dos livros e filmes, é só mais uma palavra. Não me revela nenhuma convicção ou antecede uma mudança, pelo contrário, só me dá a certeza de que eu nunca soube realmente de nada. De que era ilusão. Desconhecimento. E um punhado de dor, é claro.

E em meio a tantos pensamentos, um consegue ser recorrente. É cheio. Ele me diz. É lotado. E instantaneamente meu eu está completando a sentença. Não dá para suportar. Não há espaço suficiente. Não há coragem. Não há vontade. Nem amplitude. Só paredes. Diminuídas. Fechadas. Encurraladas.

Minha pele e todos os meus movimentos atuam em um frenesi. Constante. Impossível de ser contido. Eu quero mais. Grita meu tecido, veias, ligamentos, ossos e carne. Eu quero sair. Fugir. Desatar os nós e deixar que me eu escorra para fora dessa prisão inconcebível que me tornaram. Já não sou mais leveza. Nunca fui piano. Embora sempre lutasse para ser a mansidão das notas. Não. Agora sou copo cheio, panela apitando, guarda-roupa abrindo.

E eu não faço a menor ideia de como cheguei até aqui. Quero dizer, posso ter algumas hipóteses. No entanto, dói está dúvida incessante: foi eu ou foram eles? por Tamires Branu.

Beijos, beijos a loba da vez.

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Uma chance de florescer – Tamires Branu

Auuuu, minha gente!

Que bom estar com vocês novamente, até mesmo eu sentir falta de postar, dá para acreditar? Fiquei enrolada com meu diário de alimentação e com minhas consultas na Nutri que estou indo essa semana. Mas vim rapidinho aqui para compartilhar um singelo texto que faz parte da vibe do Desperta, Mulher.

É de uma voz que não pode e nem deve ser calada e nos faz até mesmo refletir. Que tal deixar de lado toda e qualquer confusão do dia a dia para escutar a ti mesma e dar uma nova olhada ao teu redor?

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*imagem retirada do google

 

“O sol raiava e, diferentemente da preguiça, o que me preenchia era uma chatice maçante de revirar os olhos e derrubar o corpo. Sabe, quando você acorda um tanto enjoada e com a leve impressão de que o dia será insuportavelmente chato?

Tédio, era o que podia dizer de mim ao longo da manhã. Minha mãe falava pelos cotovelos, conversa chata, de gente negativa e obsessiva. Minha cabeça rodopiava e a vontade crescia enorme dentro de mim. Temo que um grito não seria suficiente, nem alguns palavrões, talvez misturando tudo com a quebradeira de algumas coisas. Poderia aliviar, mas não seria a solução. Admito que era muito tentador, mas não certo de se fazer.

Ah! Esse meu senso crítico chato que não me deixa fazer nada!

Minha irmã possuía sua habitual expressão de mau-humor que te deixa mais amarga. Para sua felicidade, não passaria o dia todo em casa. Pelo contrário, aprontava-se para sair. Cheiro de perfume, maquiagens espalhadas e roupas penduradas eram o seu cenário de partida.

Enquanto isso, eu continuava lá, enchendo os ouvidos de problemas, reclamações e tudo de péssimo que você deseja não escutar em dias chatos.

A raiva foi me intemperando, a revolta massacrando meu consciente e a chatice me engolindo. De repente, estava sem ar. Sem saco. E, sem vontade. Nossa, o dia estava acabado. O pior de tudo é que ainda era manhã e a danada se arrastava preguiçosamente.

Ah! O outro dia que jamais chegava!

Senti-me como se tivesse tomado um porre grande de vinho, cerveja e vodka. Sensação detestável. Cansei-me dela. Nossa, era tão chata que nem mesmo eu me aguentava.

Larguei as palavras da minha mãe, deixei os ecos virarem silêncio e parti para a sacada. O céu era de um azul singelo com nuvens espaçadas e convidativas. Olhei. Nada vi. Olhei pela segunda vez. Algo apontou no céu. História. Imaginação. Sei lá. Algo que me deu um sorriso e uma sensação leve. Leve, quanto algodão-doce desmanchando na boca. Inspirei profundamente, tentando desanuviar a mente. Foi difícil. Entretanto, depois de várias tentativas, consegui. Como uma raiz que germina devagar e quando menos se espera floresce de tanta beleza.

O dia até parecia outro, embora eu soubesse que era o mesmo. Sorri, com minha pequena vitória. Havia conseguido transformá-lo em bom, aceitável e repleto de vontade.

Deixei a sacada louca para sair de casa, passear, dar uma olhada nas pessoas, nas vitrines das lojas ou de, simplesmente, conversar. Bastante. Podia até mesmo ser dessas conversas de assuntos vazios, mas que te deixam com dor de barriga de tanto rir.

Ah! Lá fora estava um belo dia e, agora, posso dizer que aqui dentro também!” por Tamires Branu

Espero que tenham gostado! Não esqueçam de me contar o que acharam.

Beijos, beijos a loba da vez.

Série: Desperta, mulher – Tamires Branu

Auuuuuuu de gratidão, leitores! Ou deveria dizer: volteeei?!

Foi um final de semana complicado e se arrastou como as últimas horas no trabalho: nunca passam. Mas cá estou eu, já é segunda-feira e mal posso acreditar que estou grata por isso.

Decidi fazer uma série de post no Uiva que passa, todos relacionados a mulher e a forma que levamos nossa vida. Serão posts que trazem confidências, ensinamentos e descobertas, mas não serão postados um atrás do outro. Não. Ficarei alternando essa série, chamada de Desperta, mulher, com outros textos/cônicas/contos dos mais variados assuntos.

Mas o legal é que esses posts não servirão apenas para mulheres, já que muitos deles falam da vida em geral. Das dificuldades que enfrentamos, das percepções que cultivamos e de como podemos melhorar. O que acharam? Espero que tenham aprovado a ideia e que me ajudem indicando temas e assuntos difíceis ou não nos comentários.

Para inaugurar a série, Desperta, mulher, resolvi compartilhar com vocês um texto que fala do medo e da necessidade de mudarmos. É como um pontapé inicial para embarcarmos em discussões e descobertas através de uma atmosfera lúdica.

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“Minha mente se retorcia e se escondia. Brincávamos de esconde-esconde. Contudo, já não era mais uma brincadeira. Não, era uma armadilha, da qual eu já não podia mais fugir. Precisava encará-la. Era chegada a hora.

A hora de decidir. A hora de mudar. A hora de mergulhar.

Ora, todos os meus sentidos se retraiam em medo. Era comum. Havia me dito a sábia dentro de mim.

O medo sempre fora um aliado necessário, mas perigoso. Ele transitava entre o bem e o mal. Havia me dito a sábia dentro de mim.

Uma linha tênue costumava separá-lo de tais caminhos. Quando essa linha se esvanecia, o medo se transformava em um habitante de dois mundos. Uma verdadeira faca de dois gumes, se é que me entende.

Normalmente, alertava meus sentidos, trazia sanidade a minha alma confusa e por vezes já havia me livrado de enrascadas. Agora, no entanto, ele me ata em amarras e imobiliza minha capacidade de seguir em frente, deixando-me atordoada e ligada em um constante estado de alerta.

Precisa se livrar dele para mergulhar. Havia me dito a sábia dentro de mim.

Contudo, eu, simplesmente, não conseguia. Não tinha habilidade, força ou coragem.

Não. Ledo engano. O que eu tinha mesmo era medo e não fazia a menor ideia de como me livrar dele. Maluquice, pensei comigo mesma. Era possível ter medo do próprio medo? Se era.

Afinal, quem eu era? Já não me reconhecia.

Para se reconhecer, você precisa se conhecer primeiro. Revelou-me a sábia dentro de mim.

Sem dúvidas, isso explicaria grande parte das minhas escolhas ou a falta delas. E não estou falando da roupa que compramos no shopping por achá-la ultra bonita e ao chegarmos em casa aposentamos a coitada sem mesmo dar a chance dela seguir o seu destino: vestir nosso corpo. Não.

Estava na hora de conhecer a mim mesma. Confessou-me a sábia dentro de mim.

E voltamos ao início. Era chegada a hora.

A hora de decidir. A hora de mudar. A hora de mergulhar.

Mas o medo já não é mais meu aliado e na incapacidade de me livrar dele, então, levá-lo-ia. Com a certeza de que não seria tão fácil e nada simples quanto minha decisão parecia.

Meus pés chegaram ao final da linha. E eu? Bem, eu mergulhei. Mergulhei ao encontro de mim mesma.” por Tamires Branu.  

É um texto de poucas palavras, mas que carrega muitas significações. Principalmente, a personificação da sábia. Nem todas sabemos, mas possuímos uma sábia dentro de nós mesmas que se mantém em silêncio na maioria das vezes por razões internas ou externas. Razões internas como pensamentos, escolhas e sentimentos. Razões externas como influências, falta de conhecimento/estudo e a sociedade moderna.

Acabamos de esquecer da existência dela e ficamos perdidas. Até que nos últimos momentos do segundo tempo ela acaba por aparecer seja como uma voz lá no fundo, seja como um conselho/opinião/palavras de sinceridade de outras pessoas que nos leva a entrar em contato com a tal da sábia: refletindo.

A sábia é como um sinal, aviso, puxão de orelha ou como qualquer coisa que te faça pensar e repensar no que está acontecendo. Ela é a ajuda, a dúvida, mas também a sabedoria. Mas como ela pode ser a dúvida e a sabedoria ao mesmo tempo? Por que através da dúvida conseguimos chegar até a sabedoria. E é por isso que devemos cultivar e nos lembrar da nossa sábia e deixá-la nos ajudar.

Enfim, esse foi o post de hoje e está aberto para discussões nos comentários. Conto com vocês e uma ótima semana a todos!

Beijos, beijos a loba da vez.

O Imprudente – Tamires Branu

Auuuuuuuu, auuuuu, lobas! Início de semana atarefado por aqui, mas encontrei espaço para compartilhar com vocês mais um texto/confissão de minha autoria. Não que eu seja a voz da personagem. Quem é ela? Uma invenção do inconsciente feminino que vez ou outra quer desabafar. Ora, quem sou eu para calá-la? Uiva que passa.

“Somos o imprudente.”

“Às vezes, olho em seus olhos e eles me parecem totalmente vazios. Desconhecidos. Não há como me perder para depois me encontrar, como costumava ser. Não há mais a profundidade que eu me empolgava em querer mergulhar. São rasos, opacos e não contam mais histórias.

Por vezes desejei que você me perguntasse como me sinto em relação a isso, embora temo não ter palavras suficientes para explicar, apesar de me arriscar a tentar. Dizer-lhe que há um gancho pesado em meu peito e o quanto chega a doer — como se algo estivesse sendo arrancando do meu próprio eu e nada fosse capaz de preencher a fissura.

Durante algumas manhãs, enquanto preparamos o café, inundados em um silêncio apático, sinto nossa conexão se esvaindo diante de nós e não há nenhum esforço para resgatá-la. Somos como deficientes. Não por ocasionalidade ou tragédia. Talvez, por escolha.

Sabe, talvez tenhamos feito bastante amizade com o costume. Agora, ele pode estar te arrancando de mim. Ou me deixando amenizar minha parcela de culpa. Quero dizer, será que tenho alguma parcela de culpa? Provavelmente. Não. Devo dizer certeza. Só não quero enxergar. E todo mundo tem disso às vezes, até mesmo você.

O fato é que através do costume acabamos por conhecer o comodismo. Esse daí chegou de mansinho e se mostrou um amigo para todas as horas e de todas as escolhas. Ele nos acalentava e justificava nosso comportamento. Tornávamo-nos defuntos inconscientes, enquanto acreditávamos viver uma vida de facilidades. Sim, tudo era mais fácil. Pena ser só aparentemente.

Em algumas tardes de folga, conversamos e nossas palavras sempre e quase todas as vezes tomam caminhos contrários. Constroem uma verdadeira ponte inacessível entre nós e me faz pensar se algum dia já tivemos algo em comum e se isso é realmente relevante para levarmos nossa relação adiante. Pode até não ser quando se está tudo bem. Mas quando as coisas estão ruins qualquer galho é capaz de acender uma fogueira, até mesmo o mais fraco e pequeno.

Por vezes diante de algumas atitudes do dia a dia chego a me perguntar quem é você ou se realmente te conheço. Logo sou tomada pela necessidade de desejar que você ainda seja aquele rapaz por quem me apaixonei um dia. Aquele jovem selvagem que conseguia me arrancar sorrisos nos momentos mais inusitados. Aquele homem de coração terno que me embalava como se eu fosse seu bem mais precioso quando eu simplesmente não conseguia dormir.

Venho tentando negar ao longo dessas palavras. Mas sei a causa. Só não quero compartilha-la. Temo que se torne realidade. Mas é verdade que nós somos o imprudente e já não importa mais quem causou isso. Você. Eu. Tanto faz. Costumávamos ser um só.” por Tamires Branu.

Para finalizar deixo com vocês a música de fundo que utilizei na construção dessas poucas palavras: Daughter – Youth:

Espero que tenham gostado e conto com vocês nos comentários. O feedback de vocês é super importante para mim.

Beijos, beijos a loba da vez.