Coragem – Parte 2

e635391c1b00e61feb4a09dd608d0bb4

Com muita sorte ou não, Sara conseguiu uma vaga no mesmo hotel em que estava. Não era o mesmo quarto, tampouco o mesmo andar, mas já não importava. Deixou as malas e voltou os passos. Seguiu diretamente para o parque florestal e comprou outro bilhete da trilha principal. Após o grupo formado, a escursão iniciou.

Sara sentiu-se completamente desconcertada, aquela deveria ser sua primeira trilha sem a câmera fotográfica. Dedicidida a acompanhar o grupo e escutar com atenção todas as informações do guia, assim o fez. Mais uma vez à frente da tal árvore, precisou respirar algumas vezes, emoções apertando-lhe o pescoço, como duas mãos furiosas.

“De acordo com os registtros, a árvore é uma das mais velhas moradora do parque. Devido a quantidade enorme de histórias em torno dela, a direção do parque não conseguiu descobrir de fato qual a verdadeira. E, por isso, todas as informações foram tomadas como inseguras.”, dizia o guia. “É bem curiosa, muitas pessoas ficam espantadas com ela. Pode se dizer que sua história aqui é ser famosa.”

As pessoas não paravam de fotografar, cada um dos viajantes tinha expressões boquiabertas e não tardavam a revesar nos cliques. Ninguém saiu de lá sem uma foto ao lado da árvore, exceto Sara.

“É só isso?”, Sara se ouviu dizer, indignada.

“Como moça?”, quis entender o guia.

“Não há mais nada sobre a árvore?”, perguntou Sara.

“Não, moça. A direção não se preocupou em coletar histórias fantasiosas…”

“Nem mesmo pela curiosidade dos clientes? Para diverti-los ou prendê-los?” interrompeu Sara.

“Se a moça estiver realmente interessada, aqui na região há uma velha senhora que parece saber bastante sobre esse parque.” O guia bastante solicito e amigável, deu-lhe um sorriso de ânimo. “Podemos conversar ao final da trilha, se quiser”.

Sara sorriu, desconcertada. Sempre fora mais reservada, mal podia acreditar em todo aquele alvoroço. A trilha se estendeu por mais duas horas. Algumas paradas e bastante água depois, o grupo retornou ao ponto de início.

Sara se aproximou do guia e os dois conversaram sobre a tal senhora. Como Sara era visitante e não conhecia a região, o guia se ofereceu para levá-la até a residência da senhora ao final de seu expediente.

Não tão distante, havia uma casinha afastada. Uma longa cerca branca de madeira cercava a propriedade. Sara muito agradecida ao Guia, perguntou-lhe o que poderia fazer para retribuir antes de descer do carro, mas o guia apenas se felcitou em ajudá-la.

O portão pequenino no meio da cerca estava entreaberto. Receosa de adentrar em território alheio, Sara bateu palmas. Era um espaço muito charmoso e aconchegante. Um florido jardim se estendia de um lado ao outro do pequeno caminho de terra que levava até uma construção singela em amarelo e vermelho.

Esperou, esperou, bateu palmas, de novo e de novo. Esperou mais um pouco… até que, angustiada com toda aquela demora, Sara atravessou o portão. Lugar cheiroso, de ar limpo, de energia leve. Naquele pequeno pedaço era como estar na serra. Caminhou devagar, primeiro porque estava receosa de encontrar alguém de surpresa, segundo porque as flores e as plantas lhe prendiam a atenção.

Aproximou-se da casa, duas janelas vermelhas se casavam com uma porta vermelha em madeira. Um maravilhoso riso despencava suas flores acima da porta, derramando-se pela parede.

“Olha, minha mãe me ensinou que não devo deixar estranhos entrarem em minha casa.”

A voz meiga, mas irônica surgiu de algum lugar entre as plantas. Sara congelou os passos, surpreendida. Procurou entre as plantas pela dona da voz, mas não a encontrou.

“Parece-me que você estava muito decidida em entrar, então o único jeito que vejo é nos tornamos logo conhecidas, assim você já não será mais estranha e eu poderei deixar que entre…”

Sara procurou por todos os lados, circundando o próprio passo. Mas não encontrou nem sequer vestírgios ou escutou passos. De repente, uma senhora de longo chapeu na cabeça, de luva, empenhando uma enorme cesta no colo, surgiu.

“Eu estava mesmo recolhendo algumas ervas para fazer um chá, senti que precisaria.”

Sara ficou atônita, sem palavras. Tentando assimilar aquele lugar, aquela senhora e sua tentativa de deixar claro que Sara apareceria.

“Pode me chamar de Nadi e você como se chama?”

“Sara”, respondeu, quase sem dizer.

“Vamos, Sara, agora você é bem-vinda, já não somos mais estranhas.” Nadi lhe abriu um grande sorriso convidativo e saiu à fente de Sara, em direção a casa.

Sara não moveu os pés. Na verdade, queria partir, já não tinha mais tanta certeza do que fora fazer ali.

“Venha, não sabia que você viria, mas pressenti que alguém me buscaria hoje precisando de um pouco de calmaria, por isso colhi as ervas. Não tenha medo de mim, não sou bruxa.” Nadi soltou uma gargalhada, e voltou a chamá-la, fazendo gesto com a mão.

 

Continua…

*P.S: imagem/ilustração por ottokim e retirada do pinterest*

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s